lista_2012

Sonho, memória, alucinação – Texto do Curador

Sonho, memória, alucinação

Exposição coletiva dos alunos de fotografia da Escola Panamericana
São paulo – 13/11 a 12/12 de 2012

Curadoria: Eder Chiodetto
Produção: Alexander Lipszyc e Márcia Formigoni
Projeto gráfico: Marcio Lupinacci

“A fotografia se constrói em um vaivém permanente entre realidade e ficção ou, se preferirmos, entre a realidade objetiva e essa outra forma de realidade que são as imagens interiores do fotógrafo”, escreveu o psicanalista e diretor de pesquisas da Universidade de Paris X Nanterre, Serge Tisseron, no primoroso texto “Sonho, Memória, Alucinação – elogio da realidade contaminada”, por ocasião da mostra “A Invenção de um Mundo”, que realizei como co-curador em 2009, no Itaú Cultural.

As imagens interiores do fotógrafo são justamente os sonhos, memórias e alucinações que três anos depois, propus aos alunos de fotografia da Panamericana como ponto de partida para que eles criassem ensaios fotográficos buscando imagens voláteis pela sua natureza e potencialmente marcantes pelos simbolismo que sugerem. Como um sonho bom ou um pesadelo apavorante que nos persegue por um longo tempo depois de abrirmos os olhos.

Essa foi a deixa para que cada um desses novos fotógrafos, refletissem sobre seus mundos interiores e buscassem motivações para fotografar a partir de suas vivências, temores e fantasias. O formato de ensaio foi um desafio. Hoje, quando todos os cidadãos se tornaram potencialmente fotógrafos, dado a facilidade dos meios, é primordial que um profissional da fotografia seja capaz de contar suas próprias histórias de forma mais complexa e em profundidade. O ensaio pode ser o que diferencia um mero funcionário que opera no automático um aparelho fotográfico criado por um engenheiro, de um criador nato, de um narrador de histórias que sabe desenvolver uma linguagem. Esses cinco livros trazem os ensaios de 27 corajosos fotógrafos que corajosamente se lançaram na aventura de descobrir mundos próprios.

Nesse volume 1 estão reunidos cinco ensaios. “Campo Imaginário”, de Lizandra Assis, que utiliza um mesmo cenário – da infância? do imaginário? – pelo qual vão surgindo diversos elementos e pessoas que remontam labirinticamente a história de uma vida – a dela e, também, de todos nós. Curioso perceber com a estratégia da fotógrafa gerou imagens em total suspensão temporal.

Em “Puigvert – Vida no Carrossel”, Maria Tereza convoca o carrossel, imagem da memória afetiva da infância de qualquer um, para dar-lhe um movimento e um grau de realismo que desacomoda o clichê que poderia existir nesse referente. Antônio Guti cria uma poética inesperada. Enquanto os teóricos de comunicação em geral criticam o tempo em que crianças e adolescentes passam em frente a uma tela de computador, o fotógrafo mergulha para dentro de suas CPUs para descobrir que existe ali uma cidade intocada a espera de ser preenchida com novos sentidos.

Duas das mais bem humorados fotógrafas da turma, Cris Nacle e Constance Farias, questionam com acidez emblemas da contemporaneidade como as celebridades do cinema e a boneca Barbie, para colocá-los em situações nada célebres. O bom humor é uma excelente chave para nos levar a reflexão.

Eder Chiodetto

contive_panamericana

sobre_artistastexto_curadorcatalogo

foto_2012_Sonho_memoria_alucinacao