Silencio Familiar – Texto do curador

Silêncio Familiar

Mostra individual de Rama de Oliveira
Galeria Matéria Plástica – 09/04 a 13/06 de 2015
Brasília

Curadoria: Eder Chiodetto
Impressão: Apuena Estúdio
Realização: Matéria Plástica

Ramagem

Existe um lugar, não claramente demarcado, onde a nossa vasta coleção de incertezas negocia, em sussurros, a noção vacilante que temos acerca da existência, a nossa incorrigível vulnerabilidade, a matéria sensível que nos move.

Esse lugar segredado, entreposto de algumas angústias, mas também de um potente estupor poético, é a ponta de lança da transcendência, substrato da nossa essência. A seiva que pode irrigar nossos sentidos.

Na série “Silêncio Familiar”, a fotógrafa Rama de Oliveira após um longo período incubando fotografias que metaforicamente aludem ao inconsciente, materializou com a força daquilo que não se pode conter, esse conjunto de imagens que se interligam por atmosferas envolventes e simbologias complexas.

Como epicentro dessa iconografia temos a singular fotografia de uma mulher e uma menina unindo suas cabeças num gesto que ao mesmo tempo inspira afeto e interdependência. O corte abrupto e inesperado da composição sugere uma fratura, um colapso que ecoa nas outras tantas imagens em que pessoas vagam solitárias e pensativas.

Se por um lado é possível criar livremente narrativas a partir do referente que se depreende dessas imagens, também é factível e até mais producente se deixar levar pelas imagens que oscilam entre visões conscientes e outras que parecem brotar de momentos de vigília ou mesmo de um sonho profundo. Flashes da infância se misturam ao tempo presente e a vestígios de paisagens insólitas que tendem ao ficcional. Ou seja, a carne viva e mutante da memória.

A luz quente e rarefeita dessas imagens, o fundo negro que denota a latência do que está por vir, assim como as tramas e texturas que se desdobram de uma imagem para outra, criam uma instância fluída e rítmica que consegue estabelecer conexões inesperadamente potentes.

É preciso tempo, experiência de vida e certa dose de ousadia para que uma artista consiga decantar seus desígnios a ponto de criar uma poética acerca dos seus labirintos.

Rama consegue, nessa sua primeira mostra individual, vislumbrar por meio de determinados referentes, afinadas metáforas que materializam estados de ânimo específicos. Que a ramagem se multiplique sobre essas raízes que surgiram com a força vital que só a consciência da fragilidade pode nos dar.

Eder Chiodetto

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