lista_2014

Rastro visto – Texto do Curador

Rastro visto de coisa só ouvida

Mostra individual de Sheila Oliveira
Fauna Galeria – 30/04 a 24/05 de 2014
São Paulo

Curadoria: Eder Chiodetto
Museografia: Marcus Vinícius Santos

Montagem: Cícero Bibiano

 Nada é real, nada em seus vãos moveres

Pertence a uma forma definida

(Fernando Pessoa)

Concepção, flutuação, impermanência, inquietação, renascimento e vínculo são algumas das palavras chaves que intitulam obras e norteiam o universo estético e conceitual da artista Sheila Oliveira. Juntos, apontam para uma necessidade intrínseca de vasculhar, nas dobras da existência, o que nos é essencial.

Ao refletir sobre a vulnerabilidade da vida, confortada na reunião dos afetos que criamos, a artista nos conduz por uma miríade de abordagens sobre a matéria sensível que nos mobiliza em nossos roteiros. Por meio de imagens do entorno familiar, memórias, colagens de tempos e vestígios de histórias, revela-se a parcela de transcendência que se oculta sutilmente nas relações tecidas dia a dia.

Há metafísica bastante em não pensar em nada, nos diz o poeta Fernando Pessoa, posto que investigar sobre os desígnios e mistérios da existência, nos leva necessariamente a uma abordagem racionalizante e distorcida sobre o que é naturalmente da ordem do imponderável. Mas pensar em nada, no entanto, não objetiva o nada, o vazio. Pensar o nada, na precisão metafórica do poeta, é transcender o pensamento e encontrar uma outra possível instância para a nossa noção de ser e estar.

Ao vasculhar o Rastro visto de coisa só ouvida, como sugere paradoxalmente Pessoa, Sheila cria obras que sintetizam, com grande desenvoltura poética, uma forma de pré-pensamento sobre as coisas. O imaginário que antecede a imagem.

Eder Chiodetto

 

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