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Poder Provisorio – Texto do Curador

Poder Provisório

Fotografias do acervo do MAM
MAM-SP – 31/03 a 15/06 de 2014
São Paulo

Curadoria: Eder Chiodetto
Projeto expográfico: Marta Bogéa com Anna Helena Villela, Liz Arakaki e Karina Kohutek

Iluminação: Alessandra Domingues
Design exposição e catálogo: Milena Galli
Assistente de Design: Camila Durelli
Documentação fotográfica: Raquel Silva Santos

 

Quem diz o que pode e o que não pode entrar no acervo do Museu? Quem tem o poder de legitimar o que é ou não é arte? Quanto o mercado de arte pode lucrar com uma exposição que pontua doenças crônicas do capital? O quão legítima pode ser a crítica de um curador ao poder, se a própria curadoria é também um exercício de poder? A imagem que vimos outro dia no jornal pode conviver com a obra de artistas consagrados no acervo do Museu? E elas podem habitar a mesma parede numa exposição? Até que ponto a fotografia pode dramatizar e inventar quando se pretende um documento? A fotografia que inventa é a mesma que pode documentar? Expor sem espaço entre as obras significa que o poder da curadoria prevalece sobre o dos artistas? E se algumas fotos saírem do contexto em que foram criadas só para ilustrar uma hipótese da curadoria, pode? Fotografar políticos em silhueta, sem identidade declarada, é uma forma de dizer que eles podem ser qualquer um de nós? Os bastidores da política podem ser fotografados até que ponto? Dar a câmera fotográfica para meninos de rua se fotografarem não é ainda assim um exercício de poder do fotógrafo? As fotografias articuladas num contínuo uníssono terão o poder de falar da exaustão, da convulsão, das articulações insondáveis de muitas instâncias do poder? Pode-se afirmar que forma é conteúdo? E usar o 11 de setembro como metáfora da intolerância, de certa falência do jogo político, da hierarquização econômica da sociedade para falar do Brasil, pode? Colocar obras conceituais que falam do mundo por metáforas ao lado de registros que abordam diretamente seu tema, é abuso de poder da retórica curatorial? Ou tudo pode na tentativa de inflamar um discurso? Em tempos de black blocs a obra que é um acrílico quebrado na moldura tem o poder de se ressignificar? Terão as fotografias esse poder mutante como signo também ou elas representam um espaço-tempo único e estanque? Como se pode viabilizar narrativas históricas por imagens então? Se o poder da representação se escora em pontos de vistas subjetivos quem narra a história oficial? Misturar fotojornalismo com arte tem o poder de criar porosidades e amplificar trocas simbólicas entre ambos? Pode alguém ainda acreditar que existam categorizações que polarizem arte e documento? A fotografia pode contribuir para que as pessoas se apoderem do destino de sua sociedade? O que você pode fazer ao sair dessa exposição? E o que você não pode?

Eder Chiodetto

FOTO: Mídia Ninja

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