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O Interruptor – Bruno Veiga – Fauna Galeria – Texto do Curador

O Interruptor

Mostra individual de Bruno Veiga
Galeria Fauna – 05/04 a 19/05 de 2012
São Paulo

Curadoria: Eder Chiodetto
Museografia: Marcus Vinícius Santos

 

O fotógrafo persiste em sua vã e obsessiva tentação de preservar fragmentos do tempo que, inexoravelmente, lhe escapam. Investigando o acaso na representação, Bruno Veiga utilizou polaroids vencidas e algumas com problemas de fabricação, como a falta do interruptor, química que tem por função estancar o processo de revelação para posterior fixação da imagem. As estratégias do artista expuseram de forma visceral a fisiologia do processo fotográfico. Metáforas precisas para ilustrar a dicotomia entre memória e amnésia, preservação e ruína, dilema central da fotografia. Para tanto, além da forma que transpira tais questões, o referente escolhido por Veiga são velhas estruturas industriais, cujos modelos ultrapassados se tornaram monumentos anacrônicos.

Ao perceber que as imagens produzidas pela polaroid estavam em célere processo de apagamento, o fotógrafo fez as vezes do interruptor e, com um scanner brecou – na verdade desacelerou – o processo de apagamento das fotografias. A polaroid, que se recusou a tornar perene aquilo que o fotógrafo queria, segue na sua obstinada viagem rumo a amnésia, enquanto seu duplo digitalizado carrega o triunfo de preservar a memória num processo infinitamente mais lento de desaparição.

As obras aqui expostas são como relógios que caminham para o futuro em tempos distintos. A poética do interruptor está contida na negociação entre a finitude do homem e sua necessidade atávica em tornar suas imagens imortais.

Eder Chiodetto

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