Iezu Kaeru – Texto do curador

Memória da Pedra

Mostra individual de Iezu Kaeru
Metrô República – 10/06 a 31/07/17
São Paulo

Curadoria: Eder Chiodetto

Para aprender da pedra, freqüentá-la… No poema “A Educação Pela Pedra”, o poeta recifense João Cabral de Melo Neto nos apresenta uma linguagem seca, precisa e concisa. Como sempre afirmava, a arte para ele não era intuitiva, mas sim uma espécie de cálculo preciso que findava por mostrar a linguagem e seus símbolos de forma crua, nua.

Em “Memória da Pedra”, o também recifense artista Iezu Kaeru investe sobre a pedra interessado na ancestralidade que ela carrega em sua carnadura concreta. O que outrora foi líquido, matéria maleável, hoje é rocha que condensa a soma dos dias e a sapiência do mundo. À resistência fria da pedra, se opõe um corpo-objeto do próprio artista como quem questiona a memória do tempo sobre a vulnerabilidade do ser e a perenidade do que não nos é tangígel.

Sobre a pedra surgem ardis de floras, vestígios de esqueletos que, esquecidos dos corpos que os abrigavam, agora invocam a temporalidade que os tornarão sedimento inquebrantável, magma, pedra absoluta.

E quando a pedra parece não ceder aos lamentos urgentes do que é humanamente orgânico, eis que a natureza do inefável, do não bruto, como a água e o vento, a esculpem e a conformam ao sabor dos destinos das coisas leves e voláteis. A dureza da pedra se rende ao afeto cálido do que é presente e não visível. Não enfrente-a. Freqüente-a. A matéria da pedra é a memória do mundo.

 

Eder Chiodetto

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