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Documental Imaginário – Texto do Curador

Documental Imaginário

Exposição coletiva viabilizada com recursos do Edital Oi Futuro
Oi Futuro Flamengo – 24/07 a 16/09 de 2012
Rio de Janeiro

Curadoria: Eder Chiodetto
Museografia: Marta Bogéa
Produção executiva: Zucca Produções
Assistente de curadoria: Marie Eve Hippenmeyer
Luz: Alessandra Domingues
Design: Carla Sarmento

A fotografia foi inventada no século XIX, quando vigorava a filosofia positivista que pregava a observação científica dos fenômenos e o racionalismo em oposição à metafísica. Decorreu daí sua conexão com a ideia de uma linguagem que pudesse comprovar de forma inequívoca a existência das coisas.

Essa visão foi posta em xeque pelos movimentos de vanguarda do início do século XX, como o Dadaísmo e o Surrealismo. Desde então, a fotografia de caráter experimental ocupou-se de retratar também o não visível, a subjetividade do homem, suas sensações e imaginação.

A partir da década de 1950 o fotodocumentarismo incorpora aos poucos essa dimensão onírica, tornando-se menos factual, mais poroso e dialético. Com o avanço tecnológico e as teorias mais recentes que desmontaram a idéia da fotografia como mera devolução mecânica da realidade, os documentaristas passaram a utilizar cada vez mais a ficção na concepção de suas imagens.

“Documental Imaginário” investiga, na produção recente de nove jovens artistas brasileiros, como essas mudanças conceituais consolidaram uma produção vigorosa e de grande apelo estético, num momento em que pontos de vista que polarizam realidade-ficção e documento-imaginação se mostram cada vez menos eficazes. No quadro, a ambiguidade, a contradição e a contemplação se apresentam na forma de luzes e palheta de cores originais, obtidas na negociação entre técnica e conceito, resultando em narrativas pulsantes e enigmáticas.

Esses artistas trabalham a partir de subjetividades e mitologias próprias. Mesmo quando partem para investigar manifestações religiosas e o futebol, por exemplo, o fazem por um olhar polissêmico, orgânico, que não apenas atesta o tempo-espaço dos fatos, mas adentra seus labirintos. Há ainda artistas que utilizam a fotografia como forma de calibrar sensações e a percepção do seu entorno, libertando e trazendo à tona uma poética refinada, até então enclausurada nos gestos e nas paisagens corriqueiras do dia-a-dia.

Eder Chiodetto

curador

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