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Coleção Itaú – Texto do Curador

Coleção Itaú de Fotografia Brasileira

Paço Imperial – 01/06 a 05/08 de 2012
Rio de Janeiro

Curadoria: Eder Chiodetto
Museografia: Marcus Vinícius Santos
Produção: Itaú Cultural

 

A fotografia não foi contemplada como linguagem artística na Semana de Arte Moderna de 1922. Na Europa, impulsionada pelos movimentos vanguardistas, a fotografia já experimentava voos libertários. No Brasil, esses ecos chegariam cerca de 25 anos depois. A obra singular de Geraldo de Barros, que inclui fotomontagens e intervenções no negativo, foi fundamental para imnpulsionar esse modernismo tardio. A partir do final dos anos 1940, vários fotoclubistas enveredaram por esse caminho, criando um primeiro ciclo consolidado dessa fotografia denominada de experimental.

Entre 1964 e 1985, sob a ditadura militar, essa produção experimental praticamente deixou de existir. As obras pontuais, de Boris Kossoy e Carlos Zilio, são raras e bem-vindas excessões.

O fim da ditadura militar e a redemocratização do país propiciou a retomada mais livre e menos dogmática da produção artística. Na fotografia, serviram como guias dessa nova fase autores como Miguel Rio Branco, Mario Cravo Neto e Claudia Andujar. A mescla de realismo e ficção observada em suas obras passou a ser uma importante matriz estética e conceitual para as gerações seguintes, gerando um território expandido, labiríntico, subjetivo.

Com as novas tecnologias das duas últimas décadas, essa revisão de paradigmas ganhou novos e instigantes aportes como demonstram várias obras aqui expostas.

Nessa mostra, um recorte da Coleção Itaú de fotografia com obras realizadas nos últimos 60 anos, optou-se por embaralhar as obras experimentais dos fotoclubes com trabalhos contemporâneos, gerando um espelhamento lúdico. A arquitetura e a paisagem urbana são temas dominantes de uma das salas enquanto o homem e seus movimentos servem de mote para a outra, sempre mantendo a correlação entre os períodos pré e pós ditadura.

Relações formais, mas sobretudo uma semelhante atitude libertária diante da representação fotográfica, ecoam entre esses dois tempos. Salienta-se assim, que a evolução de uma linguagem não se dá de forma linear, mas em vertiginosas espirais desenhadas pelo tempo e pela cultura.

Eder Chiodetto

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