lista_2013

Coleção Itaú de Fotografia Brasileira – Tomie Ohtake – Texto do Curador

Coleção Itaú de Fotografia Brasileira

Instituto Tomie Ohtake – 06/04 a 19/05 de 2013
São Paulo

Curadoria: Eder Chiodetto
Museografia: Marcus Vinícius Santos
Produção: Itaú Cultural

Essa mostra faz um pontual e representativo apanhado dos últimos 60 anos da produção da fotografia brasileira de caráter experimental. Embora a fotografia brasileira tenha levado cerca de 25 anos para ecoar as experimentações das vanguardas européias do início do século 20, hoje tanto sua produção modernista quanto contemporânea têm qualidade e originalidade reconhecidas mundo afora.

A produção singular de Geraldo de Barros é seminal nessa história. Suas fotomontagens, colagens e intervenções diretas no negativo foram responsáveis por deflagrar uma produção renovada dentro dos fotoclubes, que se desdobrou em autores como José Yalenti, German Lorca e Thomaz Farkas, entre outros, mais marcadamente do final dos anos 1940 ao início dos 1960.

Para essa mostra optou-se por privilegiar trabalhos da produção fotoclubista que enfocam a paisagem urbana – tendo a arquitetura modernista da Escola Paulista como um ícone – além do homem e sua identidade. Temas esses que reverberam na produção contemporânea que o acervo do Itaú segue consolidando.

Entre 1964 e 1985, sob a ditadura militar, a produção experimental da geração de Barros praticamente deixou de existir. A fotografia voltou-se quase exclusivamente para sua funcionalidade documental, raramente direcionando um olhar mais crítico ao regime, devido à censura aos meios de comunicação. As obras de Boris Kossoy e Carlos Zilio, são duas importantes excessões que pontuam esse momento.

O fim da ditadura militar e o processo de democratização criaram uma renovada atmosfera que propiciou a retomada mais livre e menos dogmática da produção artística na fotografia. Serviram como guias dessa nova fase três autores seminais: Miguel Rio Branco, Mario Cravo Neto e Claudia Andujar. Realismo e ficção se mesclaram de tal forma em suas obras que uma espécie de vertigem passou a ser uma importante matriz estética e conceitual, que segue norteando as novas gerações.

Propositalmente as obras estão expostas sem cronologia. Busca-se assim, um espelhamento mais orgânico entre dois períodos de grande experimentação na fotografia brasileira, tendo a ditadura como divisor. A retomada dessa fotografia de forte acento subjetivo, que tem tido forte presença no circuito de arte contemporânea nas duas últimas décadas, ecoa a herança modernista nas suas relações formais, mas sobretudo na atitude libertária da representação pela fotografia. Uma forma de salientar que a evolução de uma linguagem se dá menos na linearidade temporal e mais nas vertiginosas espirais desenhadas pela justaposição do tempo e da cultura.

Eder Chiodetto

 

convite

sobre_artistas texto_curador

GALERIA DE IMAGENS

PLANTAS