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Coleção Itaú de Fotografia Brasileira – Texto do Curador

Coleção Itaú de Fotografia Brasileira

Palácio das Artes – 22/06 a 25/08 de 2013
Belo Horizonte

Curadoria: Eder Chiodetto
Museografia: Marcus Vinícius Santos
Produção: Itaú Cultural

 

Essa exposição faz um pontual e representativo apanhado dos últimos 60 anos da produção fotográfica brasileira de caráter experimental. Embora a fotografia nacional tenha levado cerca de 25 anos para ecoar as experimentações das vanguardas europeias do início do século XX, hoje tanto a produção modernista quanto a contemporânea têm qualidade e originalidade reconhecidas mundo afora.

A obra singular de Geraldo de Barros é seminal nessa história. Suas fotomontagens, colagens e intervenções diretas no negativo foram responsáveis por deflagrar uma renovação dentro dos fotoclubes, que se desdobrou em autores como José Yalenti, German Lorca e Thomaz Farkas, entre outros, mais marcadamente do final dos anos 1940 ao início dos 1960.

Para essa mostra optou-se pelo recorte do acervo que privilegia tanto na produção modernista, quanto na contemporânea, obras que enfocam a paisagem urbana em contraponto a trabalhos que versam sobre a subjetividade e a busca de identidade do homem, tendo sempre a experimentação como pano de fundo. Se num primeiro momento essas questões eram debatidas tendo a noção de nacionalidade como eixo, hoje os artistas claramente universalizaram tais embates.

Entre 1964 e 1985, sob a ditadura militar, o experimentalismo da geração de Barros praticamente deixou de existir. A fotografia voltou-se quase exclusivamente para a sua funcionalidade documental, raramente direcionando um olhar mais crítico ao regime, devido à censura aos meios de comunicação. As obras de Boris Kossoy e Carlos Zilio são duas importantes exceções que pontuam esse momento.

O fim da ditadura militar e o processo de democratização criaram uma renovada atmosfera que propiciou a retomada mais livre e menos dogmática da produção artística na fotografia. Serviram como guias dessa nova fase três autores seminais: Miguel Rio Branco, Mario Cravo Neto e Claudia Andujar. Realismo e ficção se mesclaram de tal forma em suas obras que uma espécie de vertigem passou a ser uma importante matriz estética e conceitual, que segue norteando as novas gerações.

Propositalmente as obras estão expostas sem cronologia. Busca-se assim, um espelhamento mais orgânico entre dois períodos de grande experimentação na fotografia brasileira, tendo a ditadura como divisor. A retomada dessa fotografia de forte acento subjetivo, que tem tido grande presença no circuito de arte contemporânea nas duas últimas décadas, ecoa a herança modernista nas suas relações formais, mas, sobretudo, na atitude libertária da representação pela fotografia. Uma forma de salientar que a evolução de uma linguagem se dá menos na linearidade temporal e mais nas vertiginosas espirais desenhadas pela justaposição do tempo e da cultura.

Eder Chiodetto

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