Azul – Betina Samaia – Texto do curador

Azul

Mostra individual de Betina Samaia
Museu da Imagem e do Som – 27/10/2015 a 10/01/2016
São Paulo

Curadoria: Eder Chiodetto

 

Azul

Não se revela aos olhos, foge à razão, existe e insiste no universo, na memória, no imaginário, no afã de todas as crenças. Faz-se imperioso, pois, indagar os mistérios da nossa existência, fotografando o que os olhos teimam em cegar. Perscrutar segredos no exterior do universo e no interior dos seres. Gerar imagens-fábulas que fragilizem certezas.

Serão azuis os mistérios que cercam nossa existência?

O cosmos é o nosso diâmetro, disse Betina. Desde então, o homem caiu para dentro do homem. E tudo o que fora átomo tornou-se galáxia, que ao tornar-se tempo tornou-se humano, que se tornou estrela ao tornar-se memória. E tornou-se éter.

Os mesmos olhos da fotógrafa que miram o firmamento viajam no firmamento, rasgam o firmamento; eles também olham o homem, iluminam o homem, atravessam o homem.

Estrelas formam constelações que formam galáxias que formam o cosmos que reformam o Big Bang e conformam a metafísica. O óvulo forma a célula que ao formar o tecido forma os órgãos, forma um corpo, forma o homem, que é a materialização da metafísica. A metafísica é logo ali. A ciência do suprassensível, sensibilizada por raios luminosos intergalácticos que convergem para a câmera escura dessa fotógrafa viajante.

Betina fotografa logo ali – ali onde o particular e o universal convergem, se encontram, geram uma dobra. Betina desdobra em obras as sobras das dobras. As sobras das dobras, esses raios luminiscentes que atravessam nossa incerteza estelar para iluminar com poesia e alumbramento as sombras que a razão científica não alcança.

Se o mistério maior de todos, o da existência, se autoinexplica, nos resta apelar ao gesto artístico para cicatrizar as fissuras do inominável. A fotógrafa Betina encontrou a psicóloga Betina para conversar sobre os mistérios da vida e seus ciclos. Fotossensibilizaram-se. E então o homem caiu para dentro do homem e descobriu: o cosmos é o nosso diâmetro, e todos os mistérios são azuis.

Eder Chiodetto

 

 

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