Andre Nacli – Texto do Curador

Pós – Poste

Mostra individual de Andre Nacli
Museu da Fotografia Cidade de Curitiba – 27/07 a 25/09 de 2016
Curitiba

Curadoria: Eder Chiodetto
Produção: Rafaela Tasca
Design gráfico: Dayanna Salles

Houve um dia em que os homens olhavam árvores, e o pensamento utilitário os levava a pensar em postes de iluminação pública! O extrativismo madeireiro desenfreado e inconsequente, para tal finalidade, começou a ser descontinuado, no Paraná, na década de 1970.

A troca pelos postes de concreto gerou uma triste floresta de árvores abatidas e sem função nos domínios da COPEL (Companhia Paranaense de Energia). Até que, novamente, o pensamento utilitário do homem, agora operando no vetor da reciclagem, deu uma destinação mais digna aos troncos, gerando uma arquitetura peculiar na qual os pós-postes se tornaram estruturas extremamente elegantes de edificações públicas e privadas.

Passadas algumas décadas, André Nacli fez dessas construções o seu foco de investigação artística. Suas imagens, que, num primeiro momento, parecem ser uma documentação clássica e acrítica, logo nos capturam pelas oposições entre figura e fundo e apontam para o embate entre natureza e cultura, muito bem engendrado nessa instalação pensada para o Museu da Fotografia.

Com uma dose refinada de ironia, bem articulada nas composições, as primeiras imagens captam as ex-árvores/os ex-postes em primeiro plano, em contraponto à floresta, que surge exuberante em sua beleza caótica, ao fundo. Enquanto a vegetação descreve, no espaço – e na imagem –, texturas e desenhos de inúmeras formas e em diversas direções, os ex-postes se atêm a cumprir as coordenadas da lógica geométrica e construtiva: horizontal, diagonal e vertical. Eis o hiato entre natureza e cultura.

À medida que a instalação avança, ela nos sugere a possibilidade de erigirmos mentalmente alguma nova edificação, por meio das linhas estruturais que propõem desenhos e as lacunas que nos levam, devido ao jogo geométrico-cartesiano, a completaros espaços vagos. Curioso, ainda, é perceber que, no avanço desse jogo dialógico, a floresta – e a ideia poética de que a harmonia pode resultar do aparente caos – deixa aos poucos de ser o fundo. Triunfa, enfim, o desenho racional e asséptico em detrimento do inesperada e naturalmente belo. Uma crônica visual sobre o estado crônico das coisas e do homem contemporâneo.

Eder Chiodetto

 

Captura de Tela 2016-07-27 às 15.01.42

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